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Homenagem · Nota de pesar · Colunistas

Irmão José Alarico Rebouças: uma trajetória de dedicação, trabalho e compromisso com a comunidade

Em homenagem à sua memória, Prof. Roque Cortes Pereira recorda uma iniciativa que aproximou instituições, levou o karatê a crianças e envolveu suas famílias em atividades de aprendizagem e cooperação.

Homenagem ao Irmão José Alarico Rebouças — dedicação, trabalho e compromisso com a comunidade
Arte de capa RCP News elaborada a partir de fotografia histórica fornecida pelo Prof. Roque Cortes Pereira.

Recebo com profundo pesar a notícia do falecimento do Irmão José Alarico Rebouças. Aos seus familiares, amigos, colegas e companheiros de caminhada, expresso minhas sinceras condolências e minha solidariedade neste momento de despedida.

Ao recordar seus muitos anos de dedicação e trabalho, desejo prestar uma homenagem que também preserve a memória de uma realização coletiva. Entre os registros dessa trajetória, um documento de maio de 2012 merece especial atenção: a newsletter da Distrital Centro da Associação Comercial de São Paulo — ACSP, volume 2, edição 2.

Na seção “Palavra do Superintendente”, sob o título “Projeto de Longa Maturação — O que podemos fazer juntos com outras entidades”, o boletim apresenta uma experiência que articulava esporte, participação familiar, aprendizagem e cooperação institucional.

É uma história da qual tive a oportunidade de participar e que hoje relembro com respeito, gratidão e saudade.

Uma aproximação que abriu caminhos

O relato registra que o Irmão José Alarico Rebouças, anteriormente presidente do Rotary Club Campos Elíseos e, naquele momento, diretor superintendente da Distrital Centro da ACSP, promoveu minha aproximação com a Associação Cristã de Moços — ACM, por intermédio de Izabel Aparecida Vito Lopes.

Essa articulação possibilitou o início de aulas de Karatê-Do na ACM. O documento também relata a realização de aulas no CAMP — Centro de Aprendizado e Melhoramento Profissional —, vinculado à atuação da Distrital Centro.

Registro histórico de encontro institucional relacionado ao projeto comunitário, com a presença do Prof. Roque Cortes Pereira
Fotografia histórica fornecida pelo Prof. Roque Cortes Pereira, preservada em sua versão original.

Do karatê à participação das famílias

Uma das passagens mais significativas do documento mostra como o projeto ultrapassou os limites das aulas oferecidas às crianças.

Segundo o relato, mães dos alunos, também em situação de vulnerabilidade, manifestaram o desejo de praticar Karatê-Do. A aproximação com essas famílias contribuiu para a formação de uma comunidade e para a criação de um Núcleo Rotário de Desenvolvimento Comunitário, tendo Izabel como sua primeira presidente.

O esporte tornava-se, assim, um ponto de encontro. A partir dele, surgiam vínculos e novas possibilidades de participação.

Na minha leitura, esse é um dos aspectos mais valiosos da experiência: reconhecer as famílias como participantes da construção do projeto, com interesses, capacidades e disposição para aprender.

Costura, reaproveitamento e confiança no próprio trabalho

O boletim também descreve o apoio de uma profissional de costura que comparecia aos domingos para ensinar a comunidade e aperfeiçoar a produção realizada pelo grupo.

O texto relata uma dificuldade inicial: a vergonha de vender aquilo que produziam. Com o desenvolvimento das atividades, as participantes passaram a transformar roupas usadas em novos artigos, como sacolas para compras.

A iniciativa reuniu apoio para equipamentos, tecidos e confecção de quimonos, com contribuições de diferentes clubes de Rotary e parceiros.

Esses registros revelam um projeto que articulava necessidades concretas: aprender uma habilidade, aproveitar materiais, confeccionar os uniformes das crianças e fortalecer a confiança das famílias em sua própria capacidade de produzir.

Os quimonos e o sentido de uma conquista compartilhada

Entre os acontecimentos relatados está o segundo Festival de Karatê-Do, com a entrega de quimonos confeccionados pelas próprias mães das crianças participantes.

Esse episódio sintetiza o significado da iniciativa. Os uniformes resultavam de aprendizagem, trabalho e colaboração. As famílias participavam diretamente de uma conquista ligada à formação de seus filhos.

O documento reconhece minha atuação voluntária nas aulas gratuitas de Karatê-Do na ACM e no CAMP, bem como meu envolvimento na implantação do núcleo e na busca de apoio para as máquinas de costura.

Recebo esse registro com gratidão, mas faço questão de ressaltar seu caráter coletivo. O trabalho contou com a articulação do Irmão José Alarico Rebouças, o apoio de Izabel, a contribuição de dirigentes, profissionais, voluntários e parceiros e, sobretudo, a participação das famílias.

Um legado que merece permanecer na memória

“Longa maturação” era uma expressão adequada à proposta. Projetos dessa natureza precisam de tempo para criar vínculos, enfrentar dificuldades e transformar oportunidades em experiências de aprendizagem.

Ao homenagear o Irmão José Alarico Rebouças, reconheço sua contribuição para aproximar pessoas e instituições em torno desse propósito. O registro de 2012 preserva uma parte dessa história e nos permite recordar seu trabalho por meio de ações concretas.

Minha gratidão se dirige ao companheiro de caminhada e à pessoa que contribuiu para tornar possível essa construção compartilhada.

Aos familiares e amigos, desejo conforto e serenidade. Que Deus os ampare e que as lembranças de sua presença, de seu trabalho e dos caminhos percorridos juntos tragam alento à saudade.

Irmão José Alarico Rebouças, fica meu respeito, minha gratidão e minha homenagem. Que a memória de sua dedicação continue inspirando o compromisso de servir à comunidade.

Prof. Roque Cortes Pereira

O registro documental do projeto

Newsletter da Distrital Centro da ACSP, maio de 2012, volume 2, edição 2: Projeto de Longa Maturação, na seção Palavra do Superintendente
Newsletter da Distrital Centro da Associação Comercial de São Paulo, maio de 2012, volume 2, edição 2. Clique na imagem para consultar o documento original.

Referência documental: Newsletter da Distrital Centro da Associação Comercial de São Paulo, maio de 2012, volume 2, edição 2, seção “Palavra do Superintendente”. Documento e fotografia histórica fornecidos pelo autor.

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