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Feridas Complexas do Pé e da Perna de Difícil Cicatrização

ATUALIZAÇÃO CIENTÍFICA

Feridas Complexas do Pé e da Perna de Difícil Cicatrização

EDUARDA COSTA BATISTA (1)

Prof Dr FÁBIO BATISTA (2)

TOPS – Centro Médico Especializado em Medicina e Cirurgia do Pé Diabético e Feridas Complexas / Ortopedia e Traumatologia

www.drfabiobatista.med.br

(1) Discente em Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes

(2) Médico Cirurgião Ortopedista, Mestre e Doutor em Ciências da Saúde, Diretor-Presidente do TOPS – Centro Médico Especializado em Medicina e Cirurgia do Pé Diabético e Feridas Complexas

Feridas Complexas do Pé e da Perna

de Difícil Cicatrização

O Pé Diabético, principal causa de amputação do membro inferior (risco de 15 a 40 vezes maior), mais do que uma complicação do Diabetes, deve ser considerado como uma situação clínica bastante complexa, que pode acometer os pés e tornozelos de indivíduos portadores de Diabetes Mellitus; tem como principais fatores de risco, a neuropatia periférica, as deformidades não corrigidas e a limitação da mobilidade articular; assim, pode reunir características clínicas variadas, tais como alterações da sensibilidade dos pés, presença de feridas complexas, deformidades, alterações da marcha,  infecções e amputações, entre outras. A abordagem deve ser especializada e deve contemplar um modelo de atenção integral (educação, qualificação do risco, investigação adequada, tratamento apropriado das feridas, cirurgia especializada, aparelhamento correto e reabilitação global), objetivando a prevenção e a restauração funcional da extremidade.

Dados epidemiológicos demonstram que o pé diabético é responsável pela principal causa de internação do portador de diabetes. A Organização Mundial de Saúde reconhece que a saúde pública se depara com um sério problema em relação ao diabetes. A previsão para o ano de 2050, segundo estudos recentemente publicados na revista The Lancet, é de mais de 1,3 bilhão de portadores de diabetes.

 Atualmente, estima-se que, mundialmente, ocorram três amputações por minuto às custas do pé diabético, sendo que 85% destas são precedidas por úlceras. 

Entre as feridas de difícil cicatrização do membro inferior (neuropáticas, traumáticas, vasculogênicas, infecciosas, oncológicas, etc), merecem destaque as úlceras diabéticas, as lesões por pressão e as deiscências cirúrgicas. O manejo deve ser individualizado e conduzido por médicos capacitados para tal cenário. 


Diferentes e inovadoras propostas de apoio à cicatrização têm sido reportadas, porém, deve-se estar atento à real relevância clínica e evidência científica de cada método.

As úlceras nos pés e as amputações dos membros inferiores são complicações muito graves e de alto custo para o paciente e para a sociedade, estando associadas freqüentemente à alta morbimortalidade e elevadas taxas de recorrência.

A taxa de mortalidade na presença da úlcera crônica, encontra-se na faixa de 45-55% dentro de 5 anos, enquanto que a taxa de mortalidade para pessoas com Diabetes de longa data e idade avançada submetidas a amputação acima do tornozelo, pode chegar a 75% em 5 anos. A prevenção e o tratamento precoce dessas lesões podem manter a biomecânica e longevidade funcional da extremidade inferior.

Em relação ao manejo tópico das feridas crônicas, existem inúmeras propostas que variam desde antimicrobianos e cicatrizantes até o uso de fatores de crescimento e substitutos biológicos de pele. O importante é a equipe médica compreender os princípios de tratamento avançado de feridas, onde é necessário uma análise cuidadosa não só da lesão mas sim, do paciente como um todo. Assim, é possível  oferecer agentes locais (“curativos primários”) que possam interagir de acordo com o que a ferida está “pedindo”, proporcionando então, condições mais favoráveis para a otimização cicatricial.

Contudo, a evidência científica verdadeira na resolução do quadro local, se dá por meio do controle das doenças de base, do desbridamento cirúrgico dos tecidos desvitalizados e da descarga regional através de aparelhos gessados, ortésicos customizados, ou mesmo, por meio de tratamento cirúrgico. 

Bibliografia:

1.Batista F. Uma Abordagem Multidisciplinar sobre Pé Diabético, 2ª Edição, Editora Andreoli, SP.

2. Batista F. DIABETIC FOOT AROUND THE WORLD – EXPERT SURGEON POINT OF VIEW, Editora Amdreoli, SP.

3. Batista F. FERIDAS – Palavra do Especialista, Editora Leitura Médica, SP.

4. Batista F. Tratamento de Feridas – Cicatrização e Curativos, Editora Leitura Médica, SP.

5. Batista F. Cuidando do Meu Pé Diabético, Editora Andreoli, SP.

6. Batista F. Tratamento Especializado e Reintegração Social de Amputados, Editora Andreoli, SP.

7. Batista F. Atenção Integral ao Pé Diabético – O Time dos Sonhos, Editora Andreoli, SP.

Direto da Redação RCP News

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