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DA PEDRA BRUTA AO CÓDIGO DE GOVERNANÇA

DA PEDRA BRUTA AO CÓDIGO DE GOVERNANÇA

Fabio Ytoshi Shibao

Nilton Ramos

Resumo

A Maçonaria, fundada em 1717, expandiu-se globalmente por mais de três séculos sem jamais ter adotado formalmente o vocabulário da administração moderna. Este artigo estabeleceu um paralelo entre os princípios históricos da Ordem, codificados nas Constituições de Anderson de 1723 e nas doutrinas simbólicas dos graus simbólicos e as práticas contemporâneas de governança corporativa, gestão organizacional e crescimento sustentável. Por meio de análise documental entre textos de tratados maçônicos clássicos e textos de gestão empresarial, demonstrou-se que a Maçonaria antecipou em pelo menos três séculos, pilares como descentralização decisória, meritocracia, padronização de processos e liderança rotativa. Os resultados indicaram que o modelo federado maçônico combinando autonomia local com princípios centrais constituiu um arquétipo de governança resiliente, oferecendo lições aplicáveis a organizações contemporâneas que buscam crescimento com sustentabilidade.

Palavras-chave: Maçonaria; Governança Organizacional; Crescimento Sustentável; Gestão Estratégica; Resiliência Institucional.


Introdução

A Maçonaria moderna completou 309 anos de existência formal desde a fundação da Grande Loja de Londres em 24 de junho de 1717 (Carvalho, 2010). Nesse período, a Ordem expandiu-se para mais de 100 países, atravessou guerras, perseguições religiosas, regimes totalitários e profundas transformações culturais e não apenas sobreviveu, mas manteve sua relevância institucional. O que explica essa longevidade excepcional?

Nos dias atuais, organizações maduras não constroem apenas uma estratégia comercial, elas constroem uma estrutura capaz de sustentar essa estratégia. Esta afirmação, quando confrontada com a história da Maçonaria, revelou um paralelo surpreendente, a Ordem construiu ao longo do século XVIII, exatamente o tipo de estrutura de governança que a teoria da administração contemporânea prescreve como pré-condição para o crescimento sustentável. A capacidade de se expandir globalmente e perdurar por mais de trezentos anos não foi acidental, mas resultado de um desenho institucional que privilegia a construção de estrutura antes de ganhar escala.

A questão central que emerge dessa constatação é: em que medida os princípios organizacionais da Maçonaria estabelecidos entre 1717 e 1723 podem ser interpretados como um modelo precursor de governança corporativa e quais lições esse modelo oferece para organizações contemporâneas que buscam crescimento sustentável?

O objetivo geral deste artigo foi analisar os princípios organizacionais da Maçonaria à luz da teoria da gestão contemporânea, identificando convergências estruturais que permitam caracterizar o modelo maçônico como precursor da governança corporativa moderna e extrair lições aplicáveis a organizações contemporâneas e também como a Ordem pode evoluir e continuar interessante a sua existência para a sociedade.

Para responder a essa questão, o artigo foi estruturado em seis seções. A fundamentação teórica revisou a literatura sobre governança corporativa (IBGC, 2023), crescimento sustentável e os estudos acadêmicos recentes sobre Maçonaria como organização. Os procedimentos metodológicos descrevem a análise documental adotada. A discussão dos resultados confrontou os princípios maçônicos históricos com as práticas de gestão contemporâneas, organizada em três eixos analíticos. As considerações finais responderam à questão de pesquisa, apontaram as contribuições teóricas e práticas, e as limitações e agenda de continuidade.

Fundamentação Teórica

Neste tópico serão tratados os temas governança corporativa e o crescimento sustentável e a Maçonaria como objeto de Estudo Organizacional.

Governança Corporativa e Crescimento Sustentável

O conceito de governança corporativa, de acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC, 2023), assenta-se sobre quatro princípios fundamentais: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Organizações que internalizam esses princípios demonstram maior capacidade de adaptação, redução de riscos e sustentabilidade dos negócios (Kuzma, Doliveira, & Silva, 2017).

A literatura contemporânea sobre crescimento organizacional enfatiza que a estrutura precede a escala. Carneiro (2025), ao estudar delegação estratégica, demonstrou que empresas que concentram decisões no proprietário encontram um limite estrutural para crescer, enquanto aquelas que desenvolvem processos padronizados e liderança descentralizada criam condições para escalar operações com segurança.

A Maçonaria como Objeto de Estudo Organizacional

A Maçonaria tem despertado interesse acadêmico crescente como objeto de estudo organizacional. Johnson, MacKenzie e Chalmers (2025), em um estudo etnográfico de 48 meses sobre a Grande Loja da Escócia, demonstraram que o ritual secreto maçônico funcionava como mecanismo de manutenção institucional, operando por meio de cinco dimensões: desempenhos secretos, aprimoramento secreto, continuidade secreta, implicações secretas e segredo como fronteira institucional. O estudo coletou 8.255 respostas e 15 entrevistas aprofundadas, concluiu-se que o segredo longe de ser mero ocultamento de informação é um processo social constitutivo da identidade e da coesão organizacional.

Anacleto e Zavadniak (2025) investigaram a relação entre princípios maçônicos e comportamento empreendedor, comparando 19 empreendedores maçons com 19 não maçons. Os resultados revelaram diferenças estatisticamente significativas (p < 0,05) nos índices de empreendedorismo, com os maçons apresentando tendência moderada com índices mais elevados. Os autores concluíram que a transmissão sistemática de conhecimento na Ordem, no qual abrangendo aprimoramento moral, intelectual, tolerância, empatia, filantropia e comprometimento, influencia positivamente o perfil empreendedor de seus membros.

Vieira, Reyes Junior e Fernandes (2017), utilizando análise de redes sociais, explanaram que a dinâmica relacional intra-loja impacta diretamente a qualidade da gestão e a retenção de membros, confirmando que a estrutura de governança informal da Maçonaria tem efeitos mensuráveis na sustentabilidade organizacional.

Esquivel (2018) ofereceu uma perspectiva histórica global, argumentando que a expansão maçônica nos séculos XVIII e XIX foi viabilizada por três capacidades organizacionais a padronização ritualística, os códigos de conduta explícitos e a estrutura hierárquica federada.

Resiliência Organizacional e Antecipação Estratégica

O conceito de resiliência organizacional é a capacidade de uma organização de antecipar, preparar-se, responder e adaptar-se a mudanças incrementais e descontinuidades repentinas e tem sido aplicado ao estudo de instituições de longa duração. Harland-Jacobs (2012) evidenciou que a capilaridade global da Maçonaria funcionou como um sistema redundante de sustentação, quando lojas eram fechadas em um país, as lojas de outros países mantinham viva a cadeia iniciática e os princípios da Ordem. Essa redundância estrutural é, na teoria da gestão contemporânea, um dos pilares da resiliência organizacional.

Procedimentos Metodológicos

Esta pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, exploratório e descritiva, fundamentada no método de análise documental (Cellard, 2008; Gil, 2026). A escolha desse método justifica-se pela natureza dos dados como documentos textuais históricos e contemporâneos e pelo objetivo de estabelecer paralelos estruturais entre dois corpos documentais distintos.

A análise seguiu três etapas sequenciais, conforme protocolo de análise documental de Bardin (2015):

  • Etapa 1 — Análise documental individual. Cada documento foi submetido à leitura integral e sistematizado em: (i) estrutura textual (seções, subseções, hierarquia de tópicos); (ii) conceitos-chave e princípios enunciados; e (iii) contexto de produção e público-alvo.
  • Etapa 2 — Categorização temática. A partir da leitura cruzada dos documentos, foram identificadas cinco categorias analíticas que emergiram da convergência temática entre os textos: (i) governança e código de conduta; (ii) descentralização e liderança rotativa; (iii) padronização de processos; (iv) formação individual como estratégia coletiva; e (v) resiliência e antecipação.
  • Etapa 3 — Para cada categoria, os princípios enunciados nos documentos maçônicos foram confrontados com as proposições dos documentos de gestão e com a literatura acadêmica contemporânea, buscando identificar convergências, divergências e precedências históricas.

Para garantir a validade interna da análise, adotaram-se os seguintes critérios (Yin, 2015): (i) triangulação de fontes, o confronto dos documentos primários com literatura acadêmica sobre Maçonaria e gestão; (ii) rastreabilidade em que todas as inferências foram vinculadas a passagens textuais específicas dos documentos analisados; e (iii) replicabilidade com o protocolo de análise documental descrito de modo a permitir replicação por outros pesquisadores.

Apresentação e Discussão dos Resultados

A análise comparativa revelou convergências significativas entre os princípios maçônicos históricos e as práticas de gestão contemporânea. Para facilitar a leitura, os resultados são apresentados em três eixos analíticos, que consolidam as cinco categorias originais.

Eixo 1 — Governança e Estrutura

O marco zero da Maçonaria moderna situa-se na fundação da Grande Loja de Londres, em 24 de junho de 1717, quando quatro lojas londrinas se reuniram para eleger Anthony Sayer como Grão-Mestre (Castells, 2021). Este ato representou o momento em que a Maçonaria deixou de ser uma rede informal de corporações operativas e se tornou uma instituição formal com governança centralizada. Antes de 1717, as lojas operativas inglesas estavam em declínio numérico (Carvalho, 2010) e depois da unificação, o número de lojas saltou de quatro para mais de 150 em menos de três décadas (Harland-Jacobs, 2012).

As Constituições de Anderson de 1723, redigidas pelo pastor presbiteriano James Anderson sob supervisão de John Theophilus Desaguliers, funcionaram como o primeiro código de governança da Ordem. Elas estabeleceram sete princípios fundamentais: universalidade da verdade, obediência à lei moral, tolerância, respeito às autoridades constituídas, trabalho construtivo nas lojas, fraternidade sincera e julgamento por qualidades interiores (Castells, 2021). O princípio de considerar e julgar os homens por suas qualidades interiores, espirituais, intelectuais e morais, muito mais que pelas distinções exteriores da raça, posição social, nascimento e fortuna, antecipa em três séculos as modernas políticas de meritocracia e diversidade nas organizações (IBGC, 2023).

A Grande Loja de Londres foi estabelecida com liderança eletiva e temporária, Anthony Sayer, primeiro Grão-Mestre, foi eleito em 1717. As lojas mantinham autonomia operacional enquanto aderiam a princípios centrais, um modelo que a gestão contemporânea chama de estrutura matricial federada. Carneiro (2025), ao estudar delegação estratégica, demonstrou que a descentralização decisória é condição necessária para o crescimento escalável, exatamente o princípio que a Maçonaria institucionalizou em 1717 ao criar um Grão-Mestre eletivo e lojas autônomas.

A criação dos rituais padronizados por Desaguliers entre 1720 e 1730 e das Constituições escritas de Anderson em 1723, permitiram que lojas em diferentes países operassem com o mesmo conjunto de práticas, um sistema de replicabilidade que a gestão moderna chama de padronização de processos. Esquivel (2018), argumentou que essa padronização ritualística foi o principal fator que permitiu à Maçonaria se expandir para França, Alemanha, Itália, Península Ibérica e Américas em menos de um século, comparável a velocidade de expansão por meio de franquias corporativas modernas.

Johnson, MacKenzie e Chalmers (2025) confirmaram, em seu estudo etnográfico, que os códigos de conduta maçônicos funcionavam como mecanismos de manutenção institucional, criando previsibilidade comportamental mesmo em contextos de alta dispersão geográfica. Os autores identificaram que o aprimoramento contínuo dos rituais e códigos foi um dos pilares que explica a longevidade institucional da Ordem.

Eixo 2 — Capital Humano e Desenvolvimento

Um dos paralelos mais profundos reside justamente na conexão entre desenvolvimento individual e crescimento institucional. O tratado maçônico é inequívoco a auto cultura de o trabalho sobre si mesmo em suas múltiplas dimensões não ser um fim isolado, mas o alicerce sobre o qual se ergue toda a obra coletiva. Existe, sim, uma relação intrínseca e inegável entre o que cada obreiro constrói em si mesmo e a solidez do Templo que todos edificam juntos.

O sistema de graus maçônicos de Aprendiz, Companheiro e Mestre, opera como um programa estruturado e progressivo de desenvolvimento de lideranças, no qual cada grau não apenas adiciona responsabilidades, mas exige conhecimentos cada vez mais profundos, formando líderes pelo mérito e pela prática contínua do autoaperfeiçoamento.

A gestão contemporânea ecoa essa ideia ao afirmar que a principal responsabilidade do líder é construir uma organização que dependa cada vez menos dele para funcionar. Morel e Souza (2008), em O Poder da Maçonaria: A História de uma Sociedade Secreta no Brasil, mostraram que a Maçonaria brasileira do século XIX, que teve papel central na Independência, na Abdicação e na Abolição, funcionou precisamente como uma escola de lideranças, formando quadros que depois ocupariam posições-chave no Estado e na sociedade.

Anacleto e Zavadniak (2025) confirmaram este achado empiricamente: empreendedores maçons apresentaram índices de empreendedorismo significativamente superiores (p < 0,05) em comparação com não maçons, e os autores atribuíram essa diferença ao sistema sistemático de transmissão de conhecimento da Ordem. A Maçonaria, concluíram, cumpre uma forma de transmissão de conhecimento resultante no aprendizado de seus membros em questões como aprimoramento moral, intelectual, a prática de tolerância, empatia, filantropia, comprometimento e lealdade.

Em análise da trajetória da maçonaria brasileira no século XIX, mostrou que a expansão territorial da Ordem no Império brasileiro com lojas estabelecidas em praticamente todas as províncias foi possível porque a instituição desenvolveu um modelo federativo que combinava autonomia local com adesão a princípios centrais, exatamente o equilíbrio entre obra individual e coletiva (Carneiro, 2025).

Eixo 3 — Resiliência e Sustentabilidade

As empresas resilientes não reagem, elas antecipam. A história da Maçonaria é um caso paradigmático dessa capacidade de antecipação. As sucessivas perseguições sofridas pela Ordem, como as bulas papais de Clemente XII de 1738 e Benedito XIV de 1751, as perseguições na Península Ibérica, na Itália, na Alemanha e Áustria, a supressão por regimes totalitários no século XX e a Maçonaria sobreviveu precisamente porque tinha estrutura para se adaptar.

Harland-Jacobs (2012) argumentou que a capilaridade global da Maçonaria com lojas em praticamente todos os territórios do Império Britânico entre 1717 e 1927 funcionou como um sistema redundante de sustentação, quando uma loja era fechada em um país, as lojas de outros países mantinham viva a cadeia iniciática e os princípios da Ordem. Essa redundância estrutural é exatamente o que a teoria da gestão contemporânea recomenda para organizações que buscam crescimento sustentável em ambientes de alta incerteza.

Carvalho (2010) mostrou que a Maçonaria brasileira sobreviveu a períodos de forte repressão como o Estado Novo de Vargas, justamente porque tinha processos padronizados e uma cadeia de comando clara que permitiam à instituição operar de forma descentralizada e resiliente. Vieira, Reyes Junior e Fernandes (2017) complementaram dizendo que a dinâmica relacional dentro das lojas, medida por análise de redes sociais é o principal preditor da capacidade de retenção de membros e, portanto, da resiliência institucional.

A obra Social da Maçonaria, cuja missão é combater o erro e a escravidão pelo esclarecimento, não pela violência e promover a cooperação sobre o conflito em todas as esferas, o que Esquivel (2018), mostrou que na América Latina, a Maçonaria cresceu significativamente nos séculos XIX e XX justamente porque se associou a causas sociais relevantes como independência, abolição, república, laicização do Estado, assim, atraindo novas lideranças e expandindo sua base de membros.

No Brasil, Morel e Souza (2008) mostraram que figuras centrais como José Bonifácio, o Imperador D. Pedro I, Joaquim Nabuco e Rui Barbosa eram maçons que viam na Ordem um espaço de articulação política e social. Ao se posicionar como força progressista, a Maçonaria brasileira cresceu em relevância e em número durante todo o Império e a Primeira República.

Síntese dos Resultados

Os princípios maçônicos históricos constituem um modelo precursor de governança corporativa, antecipando em aproximadamente três séculos práticas que a teoria da administração contemporânea sistematizou como pilares da gestão moderna. Especificamente: (i) as Constituições de Anderson de 1723 funcionaram como o primeiro código de governança explícito, estabelecendo os mesmos quatro pilares do IBGC (2023) de transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa; (ii) a liderança eletiva e rotativa institucionalizou a descentralização decisória que Carneiro (2025) identificou como condição para o crescimento escalável; (iii) a padronização ritualística criou um sistema de replicabilidade que Esquivel (2018) comparou a modelos de expansão franchise; (iv) o sistema de graus funcionou como programa estruturado de desenvolvimento de lideranças, cujo impacto positivo no perfil empreendedor foi demonstrado por Anacleto e Zavadniak (2025); e (v) a capilaridade global operou como sistema redundante de resiliência, conforme Harland-Jacobs (2012).

Considerações finais

Ao responder à questão de pesquisa: Em que medida os princípios organizacionais da Maçonaria estabelecidos entre 1717 e 1723 podem ser interpretados como um modelo precursor de governança corporativa, e que lições esse modelo oferece para organizações contemporâneas que buscam crescimento sustentável?

A resposta é Sim, porque a Maçonaria antecipou em três séculos os pilares da gestão moderna porque criou estrutura antes da escala (Grande Loja, 1717), formalizou governança (Constituições de Anderson, 1723), padronizou processos (ritos replicáveis), descentralizou a liderança (Grão-Mestres eleitos e lojas autônomas), investiu em formação progressiva (sistema de graus) e construiu redundância estrutural (capilaridade global). O modelo maçônico não apenas precedeu a governança corporativa, mas ofereceu um arquétipo testado por três séculos de operação ininterrupta.

As contribuições teóricas foram: (i) integração interdisciplinar entre Estudos Organizacionais e História da Maçonaria (Johnson, MacKenzie & Chalmers, 2025); (ii) precedência histórica de governança, meritocracia, liderança rotativa e padronização têm raízes no século XVIII; e (iii) modelo de resiliência institucional: código explícito + descentralização + redundância estrutural.

Enquanto as contribuições práticas foram: implementar códigos de governança baseados em princípios e não apenas regras; estruturar programas de liderança por progressão de competências; adotar liderança rotativa; construir redundância estrutural (capilaridade geográfica e equipes multidisciplinares.

As limitações deste estudo foram: análise com base exclusivamente em documentos textuais, sem validação empírica primária por meio de entrevistas, surveys ou observação participante. O recorte geográfico do tratado maçônico tem foco eurocêntrico, podendo não refletir integralmente as particularidades da Maçonaria em contextos não ocidentais.

Recomenda-se para pesquisas futuras: (i) survey quantitativo com lojas brasileiras correlacionando práticas de governança com indicadores de crescimento (retenção, satisfação, número de membros); (ii) análise comparativa inter-ritos (REAA[1], York, Francês ou Moderno, Brasileiro, Adonhiramita, RER2, Emulação, Húngaro ou de São João e Schröder) para identificar variações em modelos de governança e impacto na expansão; e (iii) estudo longitudinal de 5 a 10 anos com lojas recém-fundadas para identificar preditores de sustentabilidade versus declínio, utilizando o referencial teórico da análise de redes sociais e dos mecanismos de manutenção institucional propostos por Johnson, MacKenzie e Chalmers (2025).

Referências

Anacleto, A., & Zavadniak, I. P. B. (2025). Entre mitos e imaginários: O culto ao empreendedorismo e trabalho na maçonaria. Revista Diálogos Possíveis, 24(1), 93-114.

Bardin, L. (2015). Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70.

Carneiro, L. C. (2025). Com quantos Orientes se faz um Império: uma análise da trajetória da maçonaria brasileira no séc. XIX. Anais do 35° Simpósio Nacional de História da ANPUH. Recuperado em 24 jul. 2026 de https://www.lab32.eventos.dype.com.br/snh2025/resources/anais/11/snh2025/1753741175_ARQUIVO_249701b7976345bb924b82b2211f2529.pdf

Carvalho, W. A. (2010). Pequena história da maçonaria no Brasil. Revista de Estudios Históricos de la Masonería Latinoamericana y Caribeña, 2(1), 30-58.

Castells, J. (2021). Os segredos do Companheiro Maçom: Estudo interpretativo dos símbolos e alegorias do segundo grau maçônico (Coleção Maçonaria Revelada). [Obra original publicada em meados do século XX]. Recuperado em:  25 jul. 2026 de https://www.academia.edu/93046917/Ma%C3%A7onaria_Revelada_Os_Segredos_do_Companheiro_Ma%C3%A7om_Estudo_Interpretativo_dos_S%C3%ADmbolos_e_Alegorias_Do_Segundo_Grau_Ma%C3%A7%C3%B4nico_Primeira_parte_O_DESENVOLVIMENTO_HIST%C3%93RICO_DA_MA%C3%87ONARIA_MODERNA?auto=download

Cellard, A. (2008). A análise documental. In J. Poupart et al. (Orgs.), A pesquisa qualitativa: Enfoques epistemológicos e metodológicos (pp. 295-316). Petrópolis: Vozes.

Gil, A. C. (2026). Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas.

Harland-Jacobs, J. L. (2012). Builders of Empire: Freemasons and British Imperialism, 1717-1927. Chapel Hill: University of North Carolina Press.

IBGC. Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. (2023). Código das melhores práticas de governança corporativa. 6. ed. São Paulo: IBGC. Recuperado em:  25 jul. 2026 de https://conhecimento.ibgc.org.br/

Johnson, D., MacKenzie, N., & Chalmers, D. (2025). Institutional maintenance in Freemasonry: The role of secretive Masonic ritual. Academy of Management Proceedings, 2025(1), 11547.

Kuzma, E. L., Doliveira, S. L. D., & Silva, A. Q. (2017). Competências para a sustentabilidade organizacional: uma revisão sistemática. Cadernos Ebape.BR, 15 (spe), 428-444.

Esquivel, R. M. (2018). Global History and Freemasonry: 300 years of Modernity, Sociability and Imperialism. Revista de Estudios Históricos de la Masonería Latinoamericana y Caribeña, 9(2), 4-21.

Morel, M., & Souza, F. J. O. (2008). O poder da maçonaria: A história de uma sociedade secreta no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Vieira, D. P., Reyes Junior, E., & Fernandes, J. P. B. (2017). A influência da dinâmica relacional na gestão de uma loja maçônica. Redes. Revista Hispana para el Análisis de Redes Sociales, 28(1), 104-119.

Yin, R. K. (2015). Estudo de caso: Planejamento e métodos. 5. ed. Porto Alegre: Bookman.


[1] Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA)

2 Rito Escocês Retificado (RER)

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