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Abandono de animais lidera denúncias de maus-tratos em Beltrão

Por Jônatas Araújo – O Centro de Zoonoses de Francisco Beltrão registrou 205 denúncias de maus-tratos a animais em 2025. A situação mais recorrente envolve tutores que se mudam e deixam os animais trancados nas residências, sem alimento ou cuidados. Além dos resgates, a unidade enfrenta outro desafio: o canil opera com lotação máxima e há dificuldade para encaminhar os cães para adoção.

O médico veterinário Everton Leonardi, responsável técnico da unidade, afirma que um dos casos mais graves registrados no ano passado foi o resgate de quatro cães da raça pitbull no bairro Padre Ulrico. O veterinário informou que eles foram abandonados na residência já com quadro de subnutrição gravíssima — em estado de caquexia — e com risco de óbito iminente.

A equipe do Zoonoses atuou em conjunto com a polícia para entrar no imóvel e retirar os animais. Além da apreensão, houve autuação administrativa, enquanto a esfera criminal ficou sob responsabilidade da polícia.

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Segundo o veterinário, nem todas as situações resultam em apreensão, cabendo a verificação de cada ocorrência. Em muitos casos, a equipe realiza intimações para que os tutores façam adequações para o bem-estar do animal. Em casos mais graves, com flagrante de maus-tratos, é aplicada multa ao tutor e feita a apreensão.

Em situações assim, além do resgate, o desafio passa a ser a destinação dos animais. O canil municipal opera com lotação máxima e enfrenta dificuldade de adoção. Muitos dos animais que estão ali passaram por situações traumáticas e precisam de adoção responsável.

No caso dos quatro pitbulls resgatados, Everton explica que a procura costuma ser maior por se tratar de cães de raça, mas que a equipe avalia criteriosamente cada interessado. “Sempre realizamos uma entrevista e análise do perfil de quem pretende fazer a adoção. Com os pitbulls já percebemos mais de uma vez que a motivação não era adotar para zelar pelo animal, e então rejeitamos a adoção.”

Em algumas situações, os animais passam por clínicas veterinárias ou são acolhidos por lares temporários até conseguirem adoção definitiva. Em uma ocorrência recente, dois animais foram deixados após a saída dos moradores. Um deles, que vivia dentro da casa e não tinha condições de sobreviver na rua, foi adotado.

Cães são resgatados em ação da Polícia Cívil e Centro de Zoonoses

Estimativa aponta até 20 mil animais nas ruas em Beltrão

Além das denúncias formais, o município convive com um número expressivo de animais em situação de rua, incluindo os chamados animais comunitários, que criam vínculo com moradores de determinada região. “Esses animais não surgiram do nada ali. Em algum momento, eles tinham um tutor, foram negligenciados ou abandonados.”

Segundo estimativa apresentada por Everton, até 20% da população pode corresponder ao número de animais circulando nas ruas. Em um município com cerca de 100 mil habitantes, como Francisco Beltrão, isso representaria aproximadamente 20 mil animais.

Ele explica que, embora o Zoonoses venha realizando o trabalho de castração, o ritmo de reprodução supera a capacidade diária de cirurgias. “Um animal pode gerar até oito filhotes. A gente faz entre seis e oito cirurgias por dia, mas não conseguimos acompanhar a demanda.”

Formalização das denúncias

As 205 denúncias registradas em 2025 chegaram por diferentes canais, como atendimento presencial, telefone, WhatsApp, ouvidoria municipal e delegacias. A orientação da unidade é que todas sejam formalizadas por meio de boletim de ocorrência.

“Todas as denúncias devem passar primeiro pelo conhecimento da polícia. Trata-se de um crime, suspeita de um crime. O registro fortalece a atuação na esfera criminal e dá maior peso aos casos. Se chega só para nós, morre aqui. Não tem mudança. É preciso acionar a polícia também”, encerrou Everton Leonardi.

O Centro de Zoonoses precisa dos beltronenses

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