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Eleições 2026 · Editorial principal

A quatro dias da eleição, informação vale mais que torcida

Capa editorial: a quatro dias da eleição, informação vale mais que torcida
Na reta final, o eleitor responsável reduz o ruído, verifica informações e avalia consequências. Arte: RCP News.

Na reta final da campanha, o eleitor responsável precisa diminuir o ruído, verificar informações e avaliar propostas, trajetórias e consequências. A democracia não exige unanimidade, mas exige consciência.

Faltam quatro dias para o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026. No próximo domingo, 4 de outubro, milhões de brasileiros serão chamados a tomar decisões que ultrapassam candidatos, partidos e campanhas. Estarão escolhendo quem terá poder para formular leis, administrar recursos públicos, definir prioridades e representar a sociedade nos próximos anos.

É justamente quando a decisão se aproxima que o ambiente político se torna mais emocional. Aumentam a pressão, os discursos categóricos, os vídeos recortados, as acusações sem contexto e as mensagens que apelam mais ao medo ou à indignação do que à razão.

Nesse cenário, informação vale mais que torcida.

Torcer é legítimo no esporte. Na política, porém, a paixão não pode dispensar o método. O voto consciente exige que o cidadão vá além da propaganda, investigue as propostas, examine a trajetória das candidaturas e compreenda as atribuições de cada cargo. Não se trata de pedir neutralidade ao eleitor. Cada pessoa possui valores, experiências e convicções. O que se espera é responsabilidade: escolher sem terceirizar o próprio julgamento.

A eleição não pode ser reduzida a uma disputa de personalidades

A campanha costuma concentrar atenção nas candidaturas ao Poder Executivo, especialmente na disputa presidencial. Entretanto, o eleitor fará seis escolhas no primeiro turno: deputado federal, deputado estadual ou distrital, primeira vaga para o Senado, segunda vaga para o Senado, governador e presidente da República.

Para o Senado, será necessário escolher duas pessoas diferentes. A Justiça Eleitoral recomenda preparar uma cola em papel, pois o celular não pode ser levado para a cabine de votação. Confira a ordem oficial de votação no TSE.

Essa ordem revela algo importante: a eleição não decide apenas quem governará. Decide também quem legislará, fiscalizará o Poder Executivo, aprovará orçamentos, examinará políticas públicas e participará das grandes decisões nacionais e estaduais. Quem pesquisa apenas presidente e governador deixa incompleta uma parte essencial da responsabilidade democrática.

Cinco perguntas antes de confirmar o voto

1. O que a candidatura efetivamente pretende fazer?

Promessas genéricas são fáceis de produzir. Propostas sérias precisam indicar prioridades, instrumentos, custos e limites. A proposta é compatível com as atribuições do cargo? Há indicação de como será financiada? Depende de lei, decisão administrativa ou alteração constitucional? Apresenta metas que possam ser verificadas depois da eleição?

Compreender as competências de cada função pública ajuda a identificar promessas impossíveis, exageradas ou enganosas.

2. A trajetória confirma o discurso?

Campanhas são construídas para apresentar a melhor versão possível de uma candidatura. Por isso, o eleitor deve comparar comunicação e histórico: experiência profissional e pública, atuação em cargos anteriores, posicionamentos registrados, compromissos assumidos, resultados entregues e coerência entre discurso, alianças e comportamento.

Nenhuma trajetória será perfeita. O objetivo não é procurar uma figura sem falhas, mas reconhecer preparo, responsabilidade, coerência e capacidade de prestar contas.

3. Quem sustenta política e financeiramente a campanha?

Toda campanha possui apoios, alianças, estruturas e fontes de financiamento. Esses vínculos não constituem, por si, irregularidade ou prova de favorecimento. Mas ajudam a compreender a rede política de uma candidatura.

A Justiça Eleitoral disponibiliza informações sobre registros, receitas, despesas e fornecedores no DivulgaCandContas. Transparência não é condenação antecipada; é condição para uma escolha informada.

4. A informação que chegou ao celular é verdadeira?

Uma mensagem não se torna verdadeira porque foi enviada por uma pessoa de confiança. Um vídeo não é autêntico apenas porque parece real. Uma manchete isolada não representa necessariamente o conteúdo integral de uma reportagem.

Antes de compartilhar, verifique autoria, data, contexto, fonte e confirmação independente. As regras eleitorais de 2026 reforçaram a identificação de materiais produzidos com inteligência artificial, proibiram o uso eleitoral de deepfakes e ampliaram os mecanismos de enfrentamento de informações falsas ou gravemente descontextualizadas. Conheça as regras do TSE para o uso de IA.

Não seja a última pessoa a descobrir que era falso depois de ter sido uma das primeiras a divulgar.

5. Essa escolha sobreviverá ao fim da campanha?

Campanhas terminam. As consequências do voto permanecem. Uma decisão madura precisa considerar o que acontecerá depois dos jingles, debates e publicações patrocinadas. A pessoa escolhida terá preparo para enfrentar crises? Saberá formar equipe? Respeitará as instituições? Conseguirá dialogar com quem pensa diferente? Prestará contas de suas decisões?

O exercício do poder exige mais do que popularidade. Exige equilíbrio, competência, capacidade de ouvir, respeito às regras e disposição para assumir responsabilidades.

A reta final exige atenção redobrada

Os últimos dias concentram grande volume de propaganda e tentativas de influenciar eleitores ainda indecisos. Também aumentam os riscos de circulação de conteúdos falsos lançados com pouco tempo para contestação.

O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e a propaganda paga ou impulsionada na internet terminam em 1º de outubro. Até as 22h de sábado, 3 de outubro, ainda podem ocorrer determinadas ações de campanha, como distribuição de material gráfico, caminhadas, carreatas e passeatas, dentro das regras eleitorais. Consulte o calendário e as orientações das Eleições 2026.

No dia da votação, a manifestação individual e silenciosa da preferência política é permitida. Já a boca de urna, o pedido de voto, a arregimentação de eleitores, o uso de alto-falantes e a distribuição de material eleitoral são proibidos. Irregularidades de propaganda podem ser comunicadas pelo aplicativo Pardal.

Serviço: prepare-se antes de sair de casa

A votação ocorrerá no domingo, 4 de outubro, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. O eleitor deve consultar antecipadamente seu local e seção, preparar uma cola em papel, conferir a ordem dos seis votos, levar documento oficial com foto e reservar tempo para votar com tranquilidade.

São aceitos documentos oficiais com foto. O e-Título pode ser utilizado como identificação quando apresentar a fotografia do eleitor. A biometria não é condição absoluta para o exercício do voto: eleitores regulares sem biometria cadastrada poderão ser identificados pelos procedimentos previstos pela Justiça Eleitoral. Leia o Manual do Eleitor.

O jornalismo não deve escolher pelo cidadão

O papel do jornalismo não é substituir a consciência do eleitor. É oferecer informações verificadas, contextualizar discursos, separar fato de opinião e fazer perguntas que o poder preferiria não responder.

Também não cabe à imprensa transformar a cobertura eleitoral em torcida organizada. O mesmo padrão de checagem, cobrança e responsabilidade deve ser aplicado a todas as candidaturas.

Independência editorial não significa ausência de valores. Significa compromisso com valores que não mudam conforme o candidato: verdade factual, liberdade, transparência, respeito às instituições, responsabilidade pública e defesa do direito do cidadão de escolher conscientemente.

O RCP News não pretende dizer ao leitor em quem votar. Pretende contribuir para que ninguém vote enganado.

Escolher é assumir responsabilidade

Democracia não é apenas o direito de votar. É a responsabilidade de compreender minimamente o que está sendo decidido. O voto não deve ser tratado como vingança, espetáculo, declaração de pertencimento a uma torcida ou resposta impulsiva a um vídeo de poucos segundos. Ele é uma delegação temporária de poder.

Quem recebe esse poder administrará recursos que pertencem à sociedade, produzirá normas que alcançarão milhões de pessoas e tomará decisões capazes de afetar educação, segurança, saúde, emprego, impostos, infraestrutura, liberdade e desenvolvimento.

Por isso, nestes quatro dias finais, vale reduzir o ruído. Comparar propostas. Consultar fontes oficiais. Conversar com respeito. Desconfiar das certezas fáceis. Recusar conteúdos manipulados. E lembrar que adversário político não é inimigo pessoal.

No domingo, cada eleitor estará sozinho diante da urna. Ali não haverá algoritmo, influenciador, grupo de mensagens ou militância para assumir a responsabilidade pela escolha. Haverá apenas a consciência de cada cidadão.

A quatro dias da eleição, informação vale mais que torcida — porque a paixão termina com a campanha, mas as consequências do voto permanecem.

Prof. Roque Cortes Pereira
Editor-fundador do RCP News

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